Consciente

O despertar da consciência não é algo místico ou apenas próprio de esoterismo e ocultismo.
Despertar a consciência é um estado de inteligência, de estar atento, no agora, sem vandalismo mental, sem tantos achismo, ou estar submerso na rotina caótica do turbilhão coletivo de mentes dementes.

É, de certa forma, natural confundir despertar espiritual, elevar o espírito, com ver espíritos ou escutar coisas do além. Essa coisas podem acontecer, mas não significa que houve uma elevação da vibração, ou que a pessoa despertou, se tornou mais consciente de quem és. Quantas pessoas estão totalmente imersas na ilusão daqueles que lhes manipulam espiritualmente, porque simplesmente aceitam tudo o que lhes veem sem questionar, e sem despertar a luz de si mesmas antes?

Não podemos tornar tangível aos olhos humanos a consciência, portanto ela se torna algo apenas imaginária para a grande maioria. É algo que as pessoas atribuem a mente, como se fosse onde os pensamentos, condutas, padrões de imagens e sons, lembranças, enfim, atribuem a consciência ao estado do ser, e não ao ser.

Quando uma pessoa está mais consciente das coisas, podemos dizer que ela está mais alerta, atenta. Se estar alerta, atenta, é estar mais consciente, então podemos talvez, dizer que a grande massa está inconsciente, pois apenas sobrevivem a sua rotina do que lhes foi imposto desde a infância. Estão apenas conscientes do que lhes foi ensinado, que na grande maioria são apenas conhecimentos inventados ou manipulados por outros seres humanos, mesmo os livros sagrados, muitos foram manipulados ou interpretados por pessoas, que por mais boas intenções possam ter tido, colocaram seus achismos e opiniões, ou vivência particulares, o que distorce de certa forma, a essência da palavra. Tudo é válido, são ferramentas, mas devem passar pelo estado interno, pela lapidação e pureza que cada um pode usar a partir dos estados internos, que vem com a consciência mais presente e sem somente o envolvimento mental e emocional.

Mas a pergunta interessante é, será que és consciente de si mesmo? Será que já mergulhou fundo na própria essência a ponto de se defrontar com todos os fantasmas interiores, vencer os demônios do medo, da angústia, raiva, avareza, luxúria, e tantos outros sentimentos confusos que podem estar presos em algum canto da consciência? Como alguns podem se dizer libertos, ascensionados, se mal conseguem perceber seus próprios demônios reais.

Não é somente questão de ver espíritos, se projetar astralmente, mentalmente ou em outros planos. Não é só questão de caridade alheia, é questão de caridade consigo mesmo, observando os hábitos diários, removendo os padrões de pensamentos densos, limpando o lixo acumulado, tanto na mente quanto no coração, e também cuidando do físico, doando o que lhe sobra, retirando os móveis e utensílios que não usa mais e ficam acumulados juntando poeria. Pode parecer tolice, mas tudo o que armazena e ocupa espaço desnecessário fisicamente, também afeta a energia internamente, pois reflete como anda por dentro.

Quando a consciência vai se tornando mais presente, ativa, viva, menos se depende da mente.
Quando a consciência vai realmente se espiritualizando, se assim podemos dizer, mais e mais compassivo vai ficando, e não passivo ou emocionalmente perturbado. A compassividade não significa caridade em troca de méritos. Muitos acreditam que para liberar o kharma é preciso caridade. Sim, caridade ajuda, mas também é preciso que a caridade não seja uma moeda de troca, e sim um estado de consciência. Quem faz caridade apenas para redimir algum possível pecado, sem antes ajustar a si mesmo, está remediando o inevitável, pois em algum momento terá que rever o que ocultou de si mesmo, e começar o processo de limpeza interna. Claro que mais vale alguém fazendo caridade do que deixando tudo a cargo do destino, mas ainda sim, em questão de consciência, o aprendizado externo, da ajuda aos outros, deve estar acompanhado do aprendizado interno, da ajuda a si mesmo.

Quando Gautama Buddha disse mais ou menos "quando um ser se ilumina muitos se beneficiam", talvez, na minha forma de percepção, tenha também se referido a isso. Sem que a pessoa busque sua verdade interna, sua independência do mundo e de todas as coisas, mesmo se tornando caridosa, ajuda apenas os que a cercam. Mas aqueles que buscam o despertar interior, trazendo a consciência para o agora, elevando seu padrão vibratório, nesse estado mais sutil, muitos mais se beneficiam, pois de alguma forma todos os que estão conectados direta ou indiretamente a pessoa, acabam recebendo padrões sutis e também se desvinculando daquele que já não tem mais ressonância com o que antes lhe afetava, que agora foi queimado na fogueira do amor.

O caminho é árduo, principalmente no inicio quando no silêncio precisa se defrontar consigo mesmo. É preciso cuspir os venenos, queimar os maus hábitos na fogueira do dissernimento, fazer uma grande introspecção, e verificar tudo aquilo que lhe aflige. Sem fugir, é preciso deixar ir, remover os padrões antigos, densos, e dar abertura a luz espiritual, é que parte da essência natural de todos os seres.

Não é preciso religião, é preciso vontade.
Não é preciso ajoelhar no milho, mas sim sentar no altar do coração.
Não é preciso se tornar errante, mas desapegado.
Não é preciso abandonar os entes queridos, mas perceber que são apenas espíritos vivendo seus próprios desafios.

A questão é sempre interna, sempre está dentro de cada um de nós. Seja de forma religiosa ou não, seja através de livros, ensinamentos, práticas ou filosofias, tudo acaba dentro e precisa ser lapidado dentro. Ninguém pode achar a pérola sagrada sem mergulhar fundo no oceano interior.

Os exemplos foram dados por muitos mestres.
E dentre todos os conhecimentos passados, amar aos outros como a si mesmo já nos diz claramente, que se não houver amor interior, por nós mesmos, como podemos amar aos outros. Não fazer ao próximo o que não queremos que nos façam, também fala sobre isso, mas antes de não fazer ao próximo, é preciso refinar o que queremos, é preciso saber o que se quer, e ter a clareza de intenção.

Enfim, todos meditaram por dias ou anos. Todos falaram de amor e compaixão, e praticaram em vida o que ensinam até além da vida.

O despertar da consciência é se tornar melhor consigo e com os outros. Se tornar melhor com o planeta, com todas as formas de vida. É não se tornar emocionalmente afetado com cada pedra ou flor que atravessar o caminho.

Não seria produtivo falar o que é ser consciente, já que o caminho é longo, e cada um tem sua viagem. Não me atrevo a falar mais do que já me atrevi, já que também percorro meu caminho. Cada um tem seu universo, seus caminhos, e nunca o despertar de um será igual ao de outro.

Porém esse estado de refinamento, podemos medir pelas atitudes, pela forma de agir, pensar e se portar. Quanto mais consciente se torna do agora, e de que és, naturalmente mais compassivo se torna, e mais amoroso és, pois quanto mais próximo do próprio coração verdadeiro, mais conectado a essência do amor vai estar.

Independe de ver espíritos ou viajar para outros planetas, independente de manipular energias ou vestir mantos sagrados, estar plenamente em estado de paz e harmonia é um grande salto, um despertar interior que leva a liberdade. Se outras coisas advém disso, é secundário, pois muito mais vale a liberdade de estar pleno e vivendo na luz, do que se tornar uma marionete que vende no mundo algo que não está dentro.

Muitos tentam vender espiritualidade, manipulam as pessoas com palavras lindas e perfumadas a narizes profanados pela ilusão. Poucos falam ao coração das pessoas, e ajudam realmente a desafogar as pessoas de si mesmo. Dar boia para quem está se afogando sem nunca ensinar a nadar, é o que o mundo de hoje mais tem, pessoas que dão ferramentas para manter outras dependentes, se tornando sanguessugas.

Aqueles que realmente nos ensinam, não prendem, não criam amarras, dogmas ou seitas em torna de algo fantasioso. Quem realmente ensina sobre a harmonia e os estados de espírito, liberta, dá as ferramentas e ensina a trabalhar, para que todos vivam em paz.

Nesse perfume que rodeia, deixo apenas reflexões a respeito. Não tomem isso como algo certo ou puro, questionem a si mesmos, façam a introspecção, e vejam dentro de si a ressonância do que compete absorver. A investigação é muito importante, muito mais do que a aceitação sem passar pela razão e o crivo do amor do coração.

Estejamos todos, em paz e harmonia.



Paz e Luz!
Terry
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